Autor: Rubem Alves, Fonte: 26.08.2003 Folha On line
Rubem Alves contesta a validade dos vestibulares, afirmando que são ao mesmo tempo inúteis e perniciosos. Inúteis porque não medem a verdadeira competência das pessoas. A capacidade demonstrada nos vestibulares é eliminada pela memória, pelo mecanismo do esquecimento, que, pela sua natureza, se encarrega de eliminar o que é inútil, como a água do macarrão já fervido. Ora, se o que se aprende para o vestibular é inútil, até porque o critério da utilidade varia de cultura para cultura, igualmente não é prazeroso, esvaziando-se aí também a outra razão que lhe poderia dar serventia. O autor afirma ainda,que para além da inutilidade, os vestibulares são perniciosos, porquanto deformam a capacidade de pensar das pessoas, citando como exemplo a educação como duas caixas, uma de brinquedos e a outra de ferramentas. O vestibular ajuda a dar respostas, quando o que importa é formular perguntas. Cita Kant e Schopenhauer em apoio à sua tese. Conclui que se as escolas se livrassem desse que chama de “processo estupidificador”, poderiam dedicar-se verdadeiramente à tarefa de educar, de desenvolver a arte de pensar.
Grupo: Cláudia Ketzer, Luana S. Machado, Janaína Silva e Ricardo. Teoria da Comunicação I - Noite.
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